Arnold Schwarzenegger está de volta. Um ano depois de deixar o gabinete do governo da Califórnia e tornar-se alvo dos tablóides por engravidar uma governanta da família e se separar de sua esposa, Maria Shriver, o ex-fisiculturista de 65 anos vai estrelar nada menos que três filmes ao longo dos próximos 12 meses.
Provavelmente, nenhum deve render um Oscar a Schwarzenegger. Na verdade, os filmes, e o próprio salário do astro de "Exterminador do Futuro", são de baixo custo em comparação aos seus grandes sucessos globais do passado.
Mas executivos do estúdio apostam que os fãs estrangeiros mais uma vez responderão a uma personalidade cujos 24 filmes geraram vendas mundiais nas bilheterias de 3,9 bilhões de dólares, de acordo com boxoffice.com.
"Ele ainda é uma estrela mundial que ressoa com o público de ação em todo o mundo", disse Rob Friedman, copresidente do grupo Lionsgate, que deve lançar seus próximos dois filmes. "The Last Stand" será lançado em 18 de janeiro e "The Tomb", em setembro.
"Ten", o terceiro filme, está programado para lançamento em janeiro de 2014 pela Open Road Films, uma joint venture das cadeias AMC e Regal Theater.
"Quando você deixa a indústria do cinema por sete anos, é um pouco assustador voltar porque você não sabe se você é aceito ou não", disse Schwarzenegger em um evento para a imprensa no sábado para "The Last Stand".
"Pode haver toda uma nova geração de estrelas de ação que surgiram nesse meio tempo."
O ator disse que estava "muito surpreso" com o que chamou de uma "grande reação" à sua participação especial no filme de ação de 2010 "Os Mercenários", que contou com as estrelas Sylvester Stallone e Jason Statham. O filme arrecadou 103,1 milhões de dólares em vendas de ingressos nos EUA e 274,5 milhões de dólares em todo o mundo.
Desde então, Schwarzenegger apareceu em "Os Mercenários 2" e disse que vai participar de um quinto filme do "Exterminador do Futuro", se for feito.
A Universal Pictures, da Comcast, quer "fazer um monte" de novos filmes com base no filme "Conan, O Bárbaro", de 30 anos atrás, contou Schwarzenegger, em que ele iria reprisar seu papel como um bárbaro.
Ele acrescentou que a Universal também quer fazer uma sequência da comédia de 1988 "Gêmeos", em que ele e Danny DeVito interpretaram gêmeos incompatíveis, a ser chamada de "Triplets" (Trigêmeos).
Schwarzenegger já não recebe mais os contracheques de 25 milhões de dólares no seu auge e deve receber entre 8 e 10 milhões de dólares por cada um de seus próximos três filmes, de acordo com duas pessoas com conhecimento de seu salário, mas que não foram autorizadas a falar publicamente sobre o assunto. Ele também recebe uma porcentagem dos lucros, de acordo com uma das pessoas.
O orçamento para "The Last Stand" é estimado em 50 milhões de dólares, de acordo com o site especializado em cinema IMDB.com.
"Ele tem um valor significativo fora dos Estados Unidos e Canadá, onde ele ainda é reverenciado por pessoas que cresceram com ele ao longo dos anos", disse Jere Hausfater, diretor de operações da empresa de produção de filmes Aldamisa Internacional, que espera fazer um filme com Schwarzenegger no futuro.
Sucesso no começo de 2012 quando apresentou aos telespectadores o mundo de champanhes, festas, jatinhos e fofocas maldosas de cinco milionárias, o reality show "Mulheres Ricas" estreia sua segunda temporada nesta segunda-feira (7), às 22h30, na Band.
A nova edição trará quatro novas integrantes, que mostrarão seus cotidianos endinheirados no programa. São elas: Aieleen Varejão, herdeira de uma família dona de um haras, Andréa Nóbrega, ex-mulher do apresentador Carlos Alberto da Nóbrega, Cozete Gomes, proprietária de um conglomerado de empresas, e Mariana Mesquita, casada com o jogador de futebol aposentado Luizão.
Além das novatas, o reality contará com a participação fixa de Narcisa Tamborindeguy, que se destacou na primeira edição pela personalidade extrovertida e pelo bordão "Ai que loucura". Val Marchiori, outra integrante da temporada de estreia, também retornará para uma participação especial. A atração terá ainda Regina Manssur, que diz ter aceitado o convite para mostrar como as mulheres de mais de 50 anos podem "podem ser lindas e glamourosas".
Na entrevista de lançamento do programa, as novas integrantes prometeram inovar. "A diferença da primeira para a segunda temporada é que essa vai ter mais conteúdo, cada uma vai mostrar o que faz, o cotidiano. Por mais que você seja rica, ninguém fica tomando champanhe 24 horas", disse Andréa Nóbrega.
No entanto, as alfinetadas de Val e o jeito extravagante de Narcisa prometem ser, mais uma vez, os grande atrativos do reality. A primeira já distribuiu comentários venenosos sobre as colegas. Em evento com jornalistas, a socialite chamou Andreia de "barraqueira" e Regina de "velhinha sem muito glamour". Já Narcisa adiantou que irá voar de asa delta e pular de um helicóptero no mar em alguns dos episódios.
Veja quem são as novas participantes do reality show "Mulheres Ricas"
Foto 3 de 9 - Nascida em um família simples, Cozete Gomes tem 43 anos, é empresária dona de um conglomerado e se define como uma mulher "multi-negócios". ?As pessoas podem me achar fútil se não conhecem a minha historia, mas não é proibido ser rico. Não é preciso enaltecer os coitadinhos. Eu batalhei muito e todo mundo pode chegar lá. É por isso que faço questão de contar minha historia. Gastar dinheiro dos outros é fácil, mas esse não é o meu caso", afirmaDivulgação/Band
O estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, será reaberto ao público com uma estátua de bronze de Pelé feita pelo cartunista Ique. Inspirada na comemoração do ex-jogador após gol marcado contra a Tchecoslováquia na Copa de 1970, a escultura foi feita com base em fotos de todos os ângulos de Pelé.
"É uma honra fazer um trabalho que ficará para a eternidade. Já tenho no Maracanã uma obra do João Saldanha e sempre fui 'peladeiro', afirma o artista. "Lembro que tinha oito anos na Copa de 1970. Ter visto o Pelé jogar é uma lembrança incrível da minha infância", completou.
A estátua terá 1,84m de altura e retrata o salto no ar com o punho erguido, comemoração característica do ex-jogador, e pessa cerca de 300 quilos. De acordo com o cronograma exigido pela Fifa, o Maracanã terá que estar pronto no dia 28 de fevereiro. A obra está orçada em cerca de R$ 850 milhões.
Segunda a secretária de Esporte e Lazer, Marcia Lins, o novo Maracanã não poderia deixar de homenagear o Rei do Futebol. "O Pelé teve uma participação fundamental em vários momentos da vida do Maracanã. A escultura será um monumento especial e incrível em um ano em que a gente está se preparando para a Copa das Confederações e que o Maracanã estará reabrindo com grandes novidades", disse.
Tallis Gomes, 25, nasceu e cresceu em Carangola (MG), cidade com cerca de 35 mil habitantes. E lá estava a primeira ideia para um negócio.
Aos 14 anos, passou a usar o site Mercado Livre para comerciar. Suas estratégias eram comprar celulares vendidos a um preço baixo no site, pagar uma pequena quantidade para divulgar os produtos e revendê-los. Também comprava celulares para vender na cidade, onde poucas pessoas tinham coragem de comprar pela internet.
Luciana Whitaker/Folhapress
Tallis Gomes no Rio de Janeiro, onde participou de concurso no qual teve a ideia que deu origem a uma start-up
Dez anos depois, não vende celulares, mas usa os aparelhos para o seu negócio: criou um aplicativo que, em funcionamento desde abril, recebeu aporte de US$ 10 milhões do fundo de investimento alemão Rocket Internet.
O serviço se chama Easy Taxi e permite que o usuário veja em seu smartphone um mapa da cidade com a localização dos taxistas cadastrados. Assim, é possível verificar onde está o carro mais próximo e saber quando ele está chegando.
O serviço é cobrado do taxista, que paga uma taxa de R$ 2 por corrida. Está disponível em quatro capitais brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília) e começou a se expandir para outros países há dois meses.
As primeiras capitais internacionais a que chegou são Cidade do México, Caracas (Venezuela), Seul (Coréia do Sul), Lima (Peru) e Bogotá (Colômbia).
Segundo Tallis, foram até agora 200 mil downloads gratuitos do aplicativo. Ele estima que metade de quem baixou tenha utilizado.
INSÔNIA
A ideia para o aplicativo surgiu durante o concurso Start-up Wekeend de 2011, realizado no Rio de Janeiro.
Na ocasião, montou uma equipe com outros participantes do evento, que deveriam apresentar uma proposta inovadora em um minuto. A ideia inicial era de um aplicativo parecido com o atual, mas que localizava ônibus.
"Logo vimos que a ideia era uma porcaria", diz Tallis. "É difícil imaginar que alguém deixaria de pegar o carro porque consegue ver o ônibus por GPS", explica.
Na madrugada final, os integrantes decidiram ir cada um para sua casa e pensar em um novo projeto. Tallis resolveu pegar um táxi. Esperou uma hora. "Desenvolvi o produto nessa noite. Claro que não consegui dormir."
A partir daí, a equipe, formada por quatro pessoas na época, trabalhou para desenvolver o produto por um ano, gastando e sem receber. Para apostar na ideia, Tallis conta que teve de vender o carro.
"Você tem que comprar uma série de licenças, pegar avião, procurar investimentos, pagar hotel." Outro gasto foi mais inusitado: celulares para taxistas.
Tallis diz que no começo era difícil convencer os motoristas a utilizar o aplicativo. Muitos tinham resistência porque não estavam acostumados aos smartphones.
Aos poucos, conta, aprendeu a conversar com os motoristas e a fazer a publicidade do produto nos lugares certos, que prefere não revelar para guardar o segredo.
Imagine uma TV de alta definição com 2 metros de largura e menos de 0,60 cm de espessura, que consuma menos energia do que a maioria das TVs comuns e possa ser enrolada quando não estiver sendo usada. O que você diria se pudesse ter um display "heads up" em seu carro, display transparente usado à frente da cabeça? Que tal um monitor com display embutido em sua roupa? Esses dispositivos podem ser possíveis no futuro com a ajuda de uma tecnologia chamada de diodos de emissão de luz orgânicos (OLEDs – do inglês – Organic Light-Emitting Diodes).
Foto cedida Samsung Electronics Protótipo de TV OLED de 40 polegadas da Samsung.
Os OLEDs são dispositivos de estado sólido compostos de filmes finos de moléculas orgânicas que criam luz com a aplicação de eletricidade. Os OLEDs podem fornecer displays mais nítidos e brilhantes em dispositivos eletrônicos e usam menos energia do que os diodos emissores de luz (LEDs) convencionais ou displays de cristal líquido (LCDs) usados atualmente.
Neste artigo, você aprenderá como funciona a tecnologia OLED, que tipos de OLEDs são possíveis, como eles se comparam a outras tecnologias luminosas e que problemas eles precisam superar.
Imagem 12/17: O fotógrafo Ita Kirsch teve de sobrevoar muitas das praias para conseguir capturar o tamanho e a diferença de cores. Acima, Ponta do Corumbau, na Bahia Ita Kirsch/BBC
É para 2013 que ele promete a estreia de "A Luneta do Tempo", seu primeiro filme, do qual assina roteiro e direção
Abençoado o repórter que consegue fazer três perguntas a Alceu Valença. Como se o mundo fosse acabar ali mesmo, ele toma para si as funções de entrevistado e entrevistador assim que apanha o telefone e sai atropelando a própria ordem narrativa que tenta construir. Cinco ou seis minutos se passam com Alceu respondendo as próprias questões até que ele respira, diz um "tá me ouvindo, meu velho?", ganha confiança ao saber que sim e recoloca o indicador no gatilho. Alceu, 66 anos, vive presente, passado e futuro ao mesmo tempo. Cinco safenas caprichosas deixaram o seu coração igualzinho ao Recife, "cheio de pontes".
Alceu, 66 anos, vive presente, passado e futuro ao mesmo tempo: o coração safenado se assemelha ao Recife que tanto ama, cheio de pontes. Em 2013, ele estreia "A Luneta do Tempo", com Hermila Guedes no elenco
É um giro e tanto o que lhe aguarda nos próximos dias: passou por Rio Negrinho, Santa Catarina, para participar de um festival de rock que o tem como atração principal. "Mas você faz um rock que não é rock!", disse a ele um confuso jornalista norte-americano depois de vê-lo em um show no Carnegie Hall, em Nova York, nos anos 80. Depois, Sobral, interior cearense, pronto para outro formato de show, mais centrado em frevos e em Luiz Gonzaga para festejar o Réveillon. "Mas sua banda, Alceu, é uma banda de pife elétrico!", disse a ele Gonzagão, aperreado com o que ouvira, antes de fazerem juntos a canção Plano Piloto. O músico segue então para o Sesc Pompeia, São Paulo, para tocar dias 4, 5 e 6 de janeiro seu modelo acústico, com a acordeonista Lucy Alves e o guitarrista e parceiro de anos Paulo Rafael, que neste projeto sustenta as harmonias dos clássicos de Alceu com viola e violão. Quatro dias depois e o novo destino será os palcos de Lisboa e Paris para uma temporada que desengaveta mais memórias. Estava Alceu em 1979 prestes a se apresentar no New Folk Festival, na Suíça, quando um repórter o abordou no camarim. "O que você acha de cantar antes da Joan Baez?". Alceu olhou o rapaz de alto a baixo e devolveu: "Mas, rapaz, por que você não pergunta a ela o que acha de se apresentar depois do Alceu Valença, do Brasil?".
Filme
O gás de Alceu não arrefece com sua volta. É para 2013 que promete "A Luneta do Tempo", seu primeiro filme, do qual assina roteiro e direção. Suas ideias começaram há dez anos, quando lhe vieram os esboços da trama de amor que se passa no cangaço de violeiros e artistas circenses, inspirada em rimas de cordel e linguagem de repentistas. Conta a história de Rodrigo, um diretor que volta a São Bento do Una (terra do músico) para filmar a saga de Lampião, Maria Bonita, Severo Brilhante e seu bando contra Antero Tenente e seus soldados. Irandhir Santos aparece como Lampião, Hermila Guedes é Maria Bonita e Ceceu Valença, filho de Alceu, vive o mulherengo Nagib Mazola.
A mão de Alceu está na trilha sonora e em um texto que poderia sempre ser música. Sem saber que está no purgatório com Maria Bonita, Lampião se enfeza com a mulher que tenta convencê-lo de que ambos estão mortos. Magoada, ela se refugia em uma pedra alta e fica por lá, contemplando um fim de tarde inebriante com toda a sua tristeza. Lampião chega por trás e começa a cortejá-la: "Se o tempo tivesse a medida pequena de um dia de feira e tu não fosse a minha vida, eu cometia uma besteira. Voava daqui do lajedo nas asas leves do vento, matava cabo e sargento e virava o mundo todo do avesso. Mas confesso o meu segredo, do fundo do meu sentimento: sem você, morro de medo. Não te esqueço um só momento". Maria Bonita fica desconcertada. "Tu és o rei da poesia, Lampião". E ele devolve: "Ah Maria, deixe de besteira".
"Quero colocar o filme primeiro nos circuitos internacionais para depois trazê-lo ao Brasil, ainda em 2013", diz o músico. O longa, uma ficção, ganha tons biográficos quando reconduz o artista às origens de São Bento do Una. Pois foi lá que seu pai sentiu com agulhadas no peito que o moleque tinha mesmo um pé no palco. "Música era uma coisa proibida lá em casa".
Apesar de ter Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga subindo suas veias lado a lado com os genes do rock and roll setentista e de frevos, maracatus, choros e da música árabe que historicamente usa o baião como seu melhor hospedeiro no Brasil, Alceu diz ser um homem sem ídolos, inspirado por uma conversa de corredor que teve com Hermeto Pascoal. "Mas Hermeto, quem você ouve para se inspirar?". "Nada". "Por que não?". "Para não me influenciar".
Quando fica indignado, seus disparos atingem o programa The Voice, da Globo. "O Brasil precisa tomar vergonha na cara. Enquanto nossa taxa de desemprego é inferior à dos Estados Unidos e nossa economia se fortalece, as pessoas continuam indo para a televisão cantar soul music, fazer cópia de norte-americano. E eu te pergunto: Você acha que um dia vamos fazer soul music melhor do que os americanos?". O circuito que o Nordeste criou para alimentar seu show biz lhe dá vergonha. "Os donos das rádios são os mesmos donos das bandas de forró. Criam uma rede fechada para se apresentar e dizem fazer o que o povo gosta. E como é que o povo vai gostar de outra coisa?". Uma hora e trinta e cinco minutos depois, o repórter consegue fazer a quarta pergunta: "Você pode me mandar o roteiro do seu filme?". E Alceu, o homem que quer viver três anos em um, responde: "Não, rapaz, escreve aí que eu dito. Assim a gente continua conversando".
No início do século XX, o escritor Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) cumpria a função de papa das letras brasileiras. Assim o definia um amigo, o diplomata Joaquim Nabuco. Com Nabuco e outras personalidades de seu tempo, Machado não se comportava apenas como guru, chefe da religião literária e presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele também trocava cartas num tom íntimo e intenso. Esse seu lado desconhecido agora começa a ganhar contornos mais nítidos, com a aparição de documentos inéditos e a reunião em ordem cronológica das cartas que Machado escreveu e recebeu. O recém-lançado volume da Correspondência de Machado de Assis, tomo IV – 1901-1904(Academia Brasileira de Letras, 492 páginas, R$ 60), coordenado pelo escritor e acadêmico Sergio Paulo Rouanet com as pesquisadoras Irene Moutinho e Sílvia Eleutério, revela a face humana, emotiva e generosa de um escritor considerado por seus contemporâneos como cínico, niilista e avesso à vida social – máscara que ele mesmo ajudou a criar e se mantém até hoje.
Essa imagem resiste porque Machado destilava ironia, meias palavras e sobretudo descrença em seus romances. O retrato de Henrique Bernardelli, de 1905, hoje exposto na ABL, para o qual Machado posou em fotografia, acentua essa aura de austeridade. Mas o homem Machado era diferente. Nabuco (1849-1910) escreveu a Machado de Londres em 8 de outubro de 1904 e afirmou que existiram duas faces no amigo: “Você pode cultivar a vesícula do fel para a sua filosofia social, em seus romances, mas suas cartas o traem. Você não é somente um homem feliz, vive na beatitude como convém a um Papa. Agora não vá dizer que o ofendi e o acusei de hipocrisia, chamando-o de feliz”. Pena que a plenitude e a felicidade de Machado apontadas por Nabuco terminaram um mês depois dessa carta, quando ele enviuvou.
O quarto volume da correspondência machadiana – que vem sendo publicada desde 2008 – vai de janeiro de 1901 a dezembro de 1904. Compreende 252 documentos, entre cartas, cartões-postais, telegramas e bilhetes. Desses, 118 foram escritos por Machado, 46% do total do volume. Seus principais correspondentes são, além de Nabuco – com 20 cartas, sempre em missão diplomática –, o jovem protegido Magalhães de Azeredo (1872-1963), emissário brasileiro no Vaticano, com 33 cartas; o crítico José Veríssimo (1857-1906), com 30; e o amigo de juventude, o jornalista Salvador de Mendonça (1841-1913), 12, o único que ainda trata por “tu”. “Machado mostrou uma faceta a cada um deles”, diz Sílvia Eleutério. “Exercitava a verve com Veríssimo, o instinto paternal com Azeredo e lembrava o passado com Mendonça.” Destilava as habituais ironias, mas também trocava confissões e prestava favores como “pistolão” no serviço público ou como autor de uma resenha anônima e elogiosa (leia o quadro abaixo). Da multidão de burocratas, colegas e candidatos à cadeira de “imortal” que lhe escreviam, destacam-se o historiador Manuel de Oliveira Lima (1867-1928) e o romancista Graça Aranha (1861-1931).
“Machado está mais presente no novo volume”, diz Sergio Paulo Rouanet. “Isso dá uma dramaticidade e um prazer de leitura maiores. Faz lembrar romances epistolares do século XVIII, como Clarissa (1748), de Samuel Richardson, ou La nouvelle Héloise (1761), de Rousseau, que Machado apreciava, embora nunca tenha escrito algo no gênero. As cartas ressuscitam os diálogos entre um guru e seus seguidores.”
Elas também trazem Machado com mais de 60 anos, em dois momentos diferentes. Até 1903, ele estava cansado e ocupado com os trabalhos na Academia e da Secretaria de Viação do Ministério da Viação, Indústria e Obras Públicas, da qual era diretor-chefe da contabilidade. Mesmo assim, mostrava entusiasmo pelas reuniões da Academia e da Panelinha (o grupo gastronômico que promovia almoços dominicais). Dava atenção às carreiras e às necessidades dos amigos. No segundo momento, a partir de janeiro de 1904, a alegria de viver pareceu minguar. De janeiro a novembro, sobrevieram a doença e a morte da mulher, Carolina, após uma convivência de 35 anos. Ela morreu de “febre intestinal”, o termo do tempo para câncer no intestino. A morte da amada Carola – com quem, em 1869, ao se casar, Machado fizera o pacto de “incendiar o mundo” – abalou-o e, ao mesmo tempo, fez com que passasse a tomar providências em relação a sua morte e à continuidade das atividades da ABL. Alegrias e tristezas fizeram que escrevesse mais que nunca.
Ao longo desses quatro anos, mostram as cartas, ele se dividia entre os cuidados com Carolina, a pauta da Academia, a relação com os escritores e a edição e lançamento de seus livros. São desse período Poesias completas, de 1901, e o romance Esaú e Jacó, de 1904. Depois de muito empenho político, conseguiu uma sede para a Academia em 1904, na Lapa, onde ela funcionaria até 1923. Naquele ano se transferiu para o prédio atual, o Petit Trianon. Lutou junto ao governo, sem êxito, para que bustos de escritores fossem erigidos 15 anos depois da morte do homenageado, para evitar entusiasmos precoces. Dava a palavra final nas eleições da academia. Em 1903, defendeu a eleição de Euclides da Cunha contra a opinião do acadêmico Graça Aranha. Os rivais haviam publicado os dois livros mais festejados de 1902: Euclides, Os sertões, e Graça, o romance Canaã (1902). Nessa eleição, um protegido de Machado, Magalhães de Azeredo (cujas hesitações e tom lamurioso dizem ter inspirado Bentinho, protagonista de Dom Casmurro), sofria em dúvidas e lhe perguntava: “Qual é o nosso candidato?”. Em contato com o editor parisiense Hippolyte Garnier, indicou poetas amigos, negociou contratos e corrigiu provas. Mas continuava modesto. Tão logo seus livros chegavam às livrarias, comentava com gratidão as resenhas dos amigos, como se sua literatura não fosse extraordinária e não fosse ele “o papa das letras nacionais”.
Machado não interrompeu a atividade quando entrou de licença por um mês, no início de 1904, para levar Carolina à cidade serrana de Nova Friburgo, numa tentativa inútil de salvá-la. Lá, em consideração à mulher portuguesa e católica, o cético Machadinho, como Carolina o chamava, frequentou missas na Matriz. A atitude causou espanto em José Veríssimo, que ironizou a “carolice” do amigo, uma referência sutil ao apelido de Carolina. Machado respondeu que a suspensão do ceticismo foi causada por uma inflamação nasal (“defluxo”) passageira. Com a morte de Carolina, em outubro, ele entrou em depressão. Mas não parou de escrever. Adotou os amigos como família.
A correspondência voltou a se intensificar de 1905 até sua morte (de câncer na garganta), em 1908. Esse último período constará do quinto volume das cartas, a ser lançado no fim de 2013, com 306 documentos. “É o período da solidão”, diz Sílvia Eleutério. “Ele dependia dos amigos e se mantinha inconsolável.” Segundo Irene Moutinho, Machado solitário ficou mais carinhoso. Irene descobriu uma carta de 1905 em que ele agradece a uma menina, Alba Araújo, filha de um casal amigo, por tê-lo presenteado com um gato, que ele batizou de Gatinho Preto – pseudônimo que ele já usara em manuscritos. “É possível estudar a relação de Machado com os animais”, diz Rouanet. Machado e Carolina tratavam como filha Graziela, uma cadela tenerife. Ele se mostra carinhoso com os cães no conto “Miss Dollar” e no romance Quincas Borba. No conto “A causa secreta”, porém, descreve a tortura de um rato.
Formular analogias entre vida e texto é um jogo infinito para Rouanet, Irene e Sílvia. Juntos no projeto de decifrar a letra miúda de Machado desde 2006, eles se chamam de “trio de malucos”. Avaliam que os cinco volumes totalizarão 1.146 cartas. “Se não descobrirmos mais coisas”, diz Rouanet. “Nosso sonho é achar manuscritos nas mãos de um colecionador oculto.” Às descobertas documentais sobre Machado se somam as interpretações psicanalíticas de Rouanet sobre ele, suas palavras e as relações com seus contemporâneos. “A gente não revoluciona, mas contribui para a pequena história machadiana”, diz ele. A modéstia de Rouanet não faz jus à excelente recepção que a obra tem obtido. Segundo o professor inglês John Gledson, um respeitado estudioso machadiano, a edição da correspondência torna urgente uma nova biografia de Machado. Que personagem sairia dela? O trio se entreolha, mas não arrisca um palpite. “Uma coisa é certa”, afirma Rouanet. “Será diferente da imagem que Machado ajudou a construir.”
Escalada para a novela "Flor do Caribe", Débora Nascimento fala de sua personagem
Com cabelos mais curtos e claros para sua nova empreitada depois da Tessália de "Avenida Brasil", a atriz agora dará vida para a guia de turismo Taís na próxima novela das 18h.
Débora Nascimento: "pra que férias? Era isso mesmo o que eu queria e estou trabalhando feliz"
A atriz conta que mal teve tempo de curtir férias com José Loreto, namorado e novamente colega de elenco. O casal teve uma semana de folga entre uma produção e outra e embarcou para o Rio Grande do Norte para gravar.
Na trama, a atriz vai contracenar com o amado, que viverá Candinho, um homem do campo. "A Taís está sendo pura diversão. Ela é extrovertida, solar, colorida, quente. Estou num núcleo diferente do Zé, mas, como o elenco é pequeno, todo mundo acaba se trombando, gravando junto".